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  • Foto do escritorFauusp Jr.

entrevista com vinicius sueiro

Atualizado: 10 de dez. de 2021

Vinicius Sueiro é formado em design pela Faculdade de Arquitetura Urbanismo e Design da Universidade de São Paulo (FAU USP) e traz muita vivência na área de design de informação. Já trabalhou para o Jornal Estadão e, também para a Questtonó, uma consultoria de design e inovação. Atualmente, está trabalhando como Designer de Interação na ONG sueca Datastory. Nessa entrevista, o designer conta um pouco sobre sua experiência no mercado e trajetória na faculdade.




Vinicius, como foi o seu percurso até chegar na faculdade? O design sempre foi uma certeza para você?


Eu terminei o ensino médio e não sabia exatamente o que queria fazer, mas eu sabia o que não queria. E o que mais me apeteceu naquela época era gestão ambiental. Eu achava a área relevante, acabei prestando vestibular e passei. Fiz um ano do curso na USP Leste e foi uma experiência muito diferente para mim, muito rico conviver com tanta gente diferente. Já no curso, tive que fazer um projeto e, para a apresentação, desenhei um diagrama no Photoshop, foi um diagrama bem tosquinho, mas que chamou bastante atenção das pessoas porque ficou muito claro. No final do primeiro ano, eu participei da recepção dos calouros e fiquei responsável por fazer os logos, os bottons, a agenda de eventos e acabei gostando. Só depois vi que a USP tinha um curso na área de design e decidi abandonar o curso em que eu estava. Antes de prestar novamente a Fuvest, fiz algumas matérias optativas na FAU e foi nisso que eu pensei: “Cara, adorei esse curso e é isso que eu quero fazer! ”. Esse processo de testar antes ajudou bastante. Eu vi que aquela minha abordagem tecnicista (de todo mundo que começa no design) não tinha nada a ver, aprendi muito mais sobre conceito do que sobre técnicas na FAU.


Você já tinha algum contato com o mercado de trabalho quando estava na faculdade?


Logo no começo eu fazia trabalhos de design visual. Trabalhava numa micro agência de apresentações corporativas (na minha casa) e conseguia trabalhar com empresas que eram de grande porte. Mas a FAU foi primordial para eu entrar no mercado, pois foi através de um anúncio do grupo da FAU que eu soube que o Estadão estava procurando um freela para trabalhar com infografia digital e visualização de dados. O dia em que eu achei que iria para a redação conversar sobre o trabalho, foi o dia que me botaram sentado para trabalhar. Depois acabou vindo outro freela e me contrataram. Eu consegui crescer lá dentro e fiquei por cinco anos no total. Terminei a FAU em 2016 e saí do Estadão em 2019.



O projeto “Simulação mostra quais crianças são adotadas (e quais não são) no Brasil” foi a última atuação de Vinicius no Estadão. Em 2019, foi o único ganhador do KANTAR Information is Beautiful Awards 2019, na categoria de trabalhos em língua estrangeira.


Então, no começo você trabalhava mais na área do design visual e depois seguiu para área de design de informação. É isso?


Eu trabalhava numa parte mais gráfica e depois comecei a trabalhar com informação quantitativa e qualitativa. Em 2016, comecei a ter mais interesse na parte de informação quantitativa. Inclusive meu TCC na FAU foi sobre isso, uma visualização de dados sobre microcefalia, na época do vírus da Zika.


Quais foram os seus próximos passos depois dessa experiência no Estadão?


Esse foi o meu primeiro emprego formal e, depois de 5 anos, senti que precisava dar um passo para trás e ter uma visão mais ampla da minha área. Tive uma experiência super rica na Questtonó, uma consultoria de design e inovação que era referência para mim desde a faculdade. Trabalhando em redação eu tinha prazos muito apertados e pouca conexão com os usuários, além de ser uma empresa mais tradicional. Então eu precisava dar um passo para trás e aprender como era trabalhar numa empresa com uma cultura de inovação muito forte, mais colaborativa e que valoriza o usuário. Consegui trabalhar 8 meses com a Questtonó e ter essa visão mais ampla do design foi super rico.


Como foi lidar com essa abordagem diferente do design? E a esse ambiente que era um pouco distinto do seu trabalho anterior?


Tem pontos muito similares e muito diferentes. Eu trabalhava num grupo pequeno de pessoas, na parte mais “ponta de lança” da redação. Era uma área mais experimental e autossuficiente, a gente fazia os projetos do zero e lidava com todas as etapas. Isso ajudou na Questtonó, que é uma empresa menor em que você tem que vestir vários chapéus. E as diferenças eram o que mais me atraia: uma cultura de colaboração que permeia toda a empresa; de modo que a toda hora você era estimulado. Além disso, tinha a parte de pesquisa: como pensar o design de um ponto de vista mais estratégico e de proximidade com o usuário. Eu conduzi algumas pesquisas enquanto estava lá e aprendi muito.


Atualmente, no que você está trabalhando?


Eu estou trabalhando numa ONG sueca que usa visualização de dados e design de informação para a educação cívica. Eles lançaram uma plataforma piloto, que foca em problemas e questões da Suécia. E a ambição dessa ONG é fazer uma plataforma global. Estou atuando como designer de interação, uma parte mais específica dentro da experiência do usuário, pensando como a Datastory.org pode criar formatos diferentes para atender a uma audiência global e, ao mesmo tempo, não virar uma coisa genérica. Atuo criando narrativas visuais que buscam gerar conexões emocionais entre pessoas e dados.


Quais as suas reflexões sobre essa área do design? Como você enxerga? O que te motiva a continuar?


Foi uma área em que eu caí de paraquedas, assim como o design, mas acabei me apaixonando. Eu enxergo essa área como algo que está crescendo muito e que não está saturada, diferentemente do chamado “design de interface” ou de “experiência de usuário”. A gente está há anos falando sobre o grande volume de dados que a humanidade está gerando e que a gente precisa de formas para traduzir e facilitar nossa percepção sobre estes dados. Nosso cérebro não foi feito para a gente olhar uma tabela e entender o que está acontecendo. A gente precisa desse profissional que traduz isso, que coloca as coisas em escala. Pessoalmente, estou tentando migrar para uma área dentro disso que não está sendo tão olhada hoje, que é como você pode fazer para perceber dados de forma não apenas visual (e sim usando outros sentidos), uma área um pouco mais experimental. Eu acho que a ponte entre o físico e o digital é o que está faltando na visualização de dados e que esta abordagem não está sendo tão olhada quanto a visualização de dados mais tradicional.


Qual dica você daria para quem tem interesse nesse mercado?


Pessoalmente, eu sempre tive muitas oportunidades e muitos privilégios, como poder estudar numa boa faculdade e conhecer pessoas que trabalhavam em lugares interessantes. Então, para mim, conseguir trabalhos, sempre foi algo baseado em uma rede pessoal que eu acabei criando na faculdade. A dica que eu posso dar é algo que aplico na minha área, mas que pode ser extrapolado para outras áreas do design. Normalmente, nós trabalhamos com coisas muito específicas e, pessoalmente, acho mais interessante a gente atuar nas intersecções das áreas. Para que você consiga fazer a ponte entre elas e também fazer com que os especialistas se conversem. Existem poucas vagas para isso, mas, quando tiver, você vai estar no topo da lista e com um diferencial muito grande no mercado. Na carreira, você precisa ter esse olhar multidisciplinar, conhecer várias áreas para conseguir facilitar a conversa entre pessoas de áreas diferentes. E, olhando lá para trás, a proposta do curso de gestão ambiental é justamente essa – e é isso o que eu faço hoje. No curso, você aprende a ser um gestor: você sabe um pouquinho de cada coisa e consegue articular times multidisciplinares. Eu acredito que ser uma pessoa multidisciplinar é importante, caso você queira se colocar numa posição mais de gestão ou de liderança.


Por último, a gente queria que você falasse um pouco sobre o seu projeto “Montadino”. Como foi a concepção desse projeto e como ele funciona?


Ele é bem diferente dos meus outros projetos. É um conceito de brinquedos em formato de dinossauro, com algumas peças para montar. Eles seriam feitos com sobras de EVA, coletadas em escolas parceiras. O projeto é pessoal, mas nasceu na faculdade, em uma disciplina de design de brinquedo. Na época, eu não consegui achar soluções para a coesão do produto final e desisti dessa disciplina. Isso foi em 2016. Já em 2019, eu quis aplicar para um mestrado que foca na ponte entre o físico e o digital. Mas, como meu portfolio só tinha projetos digitais, pensei que seria uma boa trazer os “Montadinos” de volta. Só que o mundo não precisa de mais um dinossauro de plástico. Então eu busquei formas de fazer ele ter alguma relevância. Assim, consegui conectar esse projeto a um sistema maior, que envolve design de serviço, visual e de produto, além de educação socioambiental para as crianças na escola. Hoje, tenho alguns aqui em casa e gostaria de doar eles ou tentar fazer um projeto piloto em alguma escola, mas, por conta de outras responsabilidades profissionais, acabei deixando de lado. Quem é designer vive esse dilema: ou você investe muito em um projeto ou parte pro próximo. Se você tiver interesse no projeto, fica à vontade para entrar em contato.



Protótipos de duas “espécies” de Montadino. Esta página traz mais detalhes sobre o projeto.


Você pode acessar o site pessoal do Vinicius para conhcer um pouco mais do seu trabalho clicando aqui. Esperamos que tenha gostado da entrevista e nos vemos na próxima!

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