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entrevista com nadia naomi sato

Atualizado: 10 de dez. de 2021

Nadia Naomi Sato é designer, graduada pela FAUUSP em 2018. É co-fundadora da FAUUSP Jr. e do Projeto em Andamento. Atualmente trabalha com UX Research na Taqtile, realizando Design Sprint, uma metodologia para inovação e solução de problemas.




Para começar queria saber um pouco da sua trajetória ao entrar na graduação de Design.


A graduação foi interessante porque estava me preparando para o vestibular, mas não sabia para o que. O que me marcou foi uma palestra que aconteceu na Fundação Japão e era do Mario Narita da Narita Design. Ele trabalhava principalmente com design de embalagens. Eu achei muito interessante que o palestrante falou da parte física e visual dos produtos, ao mesmo tempo considerando aspectos culturais da sua utilização.

Tinha muito da vontade e encanto de poder tangibilizar uma ideia. Tanto que na época eu achei que iria mais para Design de Produtos e no fim fui fazer TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) sobre Life Designing, ou Design de Vida, que não é algo tão materializável.


Eu cheguei a fazer um semestre do curso de Design no Mackenzie, eu tinha gostado e até considerei continuar lá, tinha amado o curso e conseguia me ver atuando profissionalmente com o que aprendia lá. Mas contou também a questão financeira e também eu queria prestar de novo para a USP, porque a primeira vez que eu prestei o vestibular, deixei algumas questões sem ler. Tentei de novo, passei e me transferi. E por mais que eu tenha chegado a pensar se tinha feito a escolha certa em mudar, eu não me arrependo.


O maior diferencial pra mim foram as pessoas, diferentes realidades, postura ativa de aprendizado, como também o ambiente plural da universidade, com as possibilidades além das aulas do curso, principalmente com a FAUUSP Jr.


Você comentou sobre seu TCC. Poderia falar um pouco mais?


Sim, claro. Tem um livro que se chama “Designing Your Life: How to Build a Well-Lived, Joyful Life”, escrito por Bill Burnett e Dave Evans, de Standford. O conceito é de “life designing” e traz uma abordagem, que dentro da metodologia do “Design Thinking”, “pensamento do design”, trazem-se aspectos de pensar em projetos centrados nas pessoas e uma das competências pra isso é trabalhar a empatia.


Então "Life Designing" é enxergar a vida com o pensamento de design, seria enxergar sua vida como um projeto seu. E isso nos faz mudar a lógica como designers ou projetistas, como gostamos de falar às vezes, de nos permitir ser o centro desse projeto, o que nos leva a buscar autoconhecimento e exercer a empatia sobre nós mesmos.


Obviamente terei que perguntar sobre a criação da FAUUSP Jr. Como foi esse processo, de onde surgiu a ideia, foi um trabalho em conjunto?


Vou tentar ser sintética, porque a história é profunda e de muitas experiências. Pouco tempo depois que entrei na graduação, ouvi que um grupo de alunos, da maioria da arquitetura, estava tentando criar uma empresa júnior. Algumas pessoas da minha turma também tinham ficado interessadas e a gente decidiu tentar participar. Mas, com o tempo eu percebi que haviam conflitos naquele grupo, divergências sobre prioridades, formato de gestão, conduta, propósito. Com isso, quase todas as pessoas que estavam nesse grupo saíram, e eu e as pessoas novas que entraram comigo ficamos tipo “E aí, o que a gente faz?”. A gente ainda tentou continuar o trabalho que esse grupo tinha iniciado com a pessoa que ficou, honrar o trabalho já feito, mas depois descobrimos que isso não seria mais possível, toca em questões delicadas.


O que posso dizer dessa época é que precisei lidar com algumas das situações mais desafiadoras da minha vida. E que durante muitos meses, eu, Gustavo, Priscila, Roberta e Victoria nos dedicamos para criar o estatuto social e regulamentar a iniciativa na FAU e como empresa (abrir o CNPJ). Tivemos também a ajuda do Tiago que nos ajudava a trazer a perspectiva do curso de Arquitetura e que era também um dos objetivos que fosse uma única empresa júnior para os explorar as oportunidades de união dos 2 cursos.


Porém tivemos episódio que foi um balde de água fria que diz muito sobre hoje a empresa júnior ser chamada "FAUUSP Jr" e não "FAU Jr" como na época estava sendo criada. Naquele momento acredito que todos nós pensamos em desistir, partir para outra. Mas alguma coisa em mim também me falava que esses eram um daqueles momentos que mudam uma história. Acabar ali para mim seria uma história triste de ser contada e apesar de todos os desafios, conversar hoje com você, é símbolo de um sonho realizado.


Naquela época a gente falava muito que queríamos pelo menos colocar de pé para que uma próxima geração pudesse ter a experiência de fazer projetos e colocar em prática seus aprendizados acadêmicos em um serviço para a sociedade, se preparar para o mercado de trabalho, mas com autonomia e liberdade para que os alunos testassem ali o modelo de empresa que queriam ver no mercado.


Eu posso dizer por mim que uma das minhas maiores motivações era a oportunidade de ter um caminho, um lugar que pudesse reunir pessoas: primeiro, de diferentes anos e poder ter essa troca de conhecimento, acho que tanto dos veteranos como das pessoas novas que estão chegando, com novas propostas, novas ideias, novas formas de pensar. E depois na parte mais técnica da graduação, os veteranos também poderiam contribuir. Da mesma maneira, poder aproximar os cursos de Arquitetura e Design. Talvez também com um objetivo comum integrar funcionários, professores e alunos. Trazer também uma nova abordagem de mercado de trabalho. Se a gente tem tanta coisa que imagina ser diferente, porque não trazer uma solução, uma proposta?


Ser uma empresa júnior significava atender micro e pequenas empresas, que também estão crescendo e tentando, como nós, a criar algo novo, pessoas que estão começando a empreender, a gente poderia se ajudar. Já ter esse outro tipo de realização de projeto, projetos que são reais com necessidades reais.



Primeira geração da FAUUSP Jr. (fundadores).

Primeira eleição da FAUUSP Jr. em 2017.


O que mudou da sua visão em relação ao mercado de trabalho e a forma como você trabalha?


Eu sou muito grata pela experiência da FAUUSP Jr. porque mudou minha vida pessoal e profissional. Pessoas com quem fiz reuniões de sábado, domingo, depois da aula do design de madrugada para escrever regimento interno, estatuto, revisar documentos. Não é todo mundo que teria a mesma disposição. Era preciso desenvolver habilidades para conseguir direcionar discussões, melhorar a experiências dos encontros, saber como ajudar, pedir ajuda, quando falar e ouvir. Nesse contexto ficava mais evidente os seus pontos fortes, mas também o que você podia melhorar.


Naquela época eu não enxergava uma empresa que gostaria de trabalhar, não conhecia uma em que enxergava alinhamento de valores. E pensei que uma solução no futuro seria empreender, ter um negócio próprio. E eu estava descobrindo isso com a empresa júnior.

Já nos momentos finais, antes de sair, eu tive a experiência de ter a oportunidade de ter uma indicação para fazer um estágio no Grupo Anga.


Eu conhecia algo novo nesse estágio e pensava: como isso poderia ser aplicado na júnior. Na época, as reuniões da FAUUSP Jr., estavam faltando alguma coisa lá. Eu normalmente puxava as reuniões, mas ficava pensando que não precisava ser assim. Aí no estágio eu aprendi sobre sociocracia e holacracia e uma das coisas foi sobre papéis diferentes de cargos e os papéis para reuniões como os de facilitadores, coordenador(a) e guardiã(o). Falavam que era uma maneira de distribuir poder, influência e que via que tornava os encontros também mais participativos, com mais trocas, diferentes pessoas falando e assumindo a responsabilidade para aquela reunião ser produtiva.


Jantar de celebração do primeiro projeto como FAUUSP Jr.


E sobre o Projeto em Andamento? Vi que você participava desse projeto no Youtube para ajudar os alunos. Como foi isso?


Ah então, no Design a gente tinha muito trabalho em grupo e estávamos no penúltimo ano da faculdade. A Agnes e a Maiyara compartilharam com o nosso grupo para uma das disciplinas da FAU em que tinha eu, o Andy e a Cinthia sobre a proposta de compartilhar um pouco mais o que a gente faz aqui. No canal também a gente falou sobre bolsas na faculdade, porque percebemos que muita gente deixava de tentar, de se inscrever e fazer o vestibular porque já achava que não tinha como, tanto por às vezes não acreditar em si como também por questões financeiras, de ter que se mudar, onde morar, como se sustentar.


Mais recentemente, já com a entrada do Charles, quando todos já estavam estagiando ou formados já trabalhando e em busca de crescimento profissional, começamos a repensar sobre nossos conteúdos para que eles ficassem mais próximos da nossa atual realidade. Acontece que quando você sai da graduação, principalmente na FAU pela amplitude de caminhos que ela oferece, você não sabe para onde ir algumas vezes. Dessa forma então, cada membro do PA, estava escolhendo o seu caminho profissional e a gente resolveu falar disso e decidimos de cada um poder trazer mais daquilo que estava trabalhando, estudando, se interessando.


Para finalizar a entrevista, qual conselho ou dica você daria para os estudantes tanto de Design como de Arquitetura.


Acho que a minha dica seria autoconhecimento. Porque se você se conhece, sabe o que você quer e do que você não abre mão, você consegue tomar decisões mais conscientes e firmes sobre o que faz sentido para você, porque vai ter um monte de gente te falando coisas, dando conselhos, pedindo ajuda, te colocando tarefas pra fazer, metas, objetivos... Eu acho que é importante algumas vezes parar e se permitir perceber se aquilo está fazendo sentido para você.


Acho que também pensar o que da sua vida pessoal você está deixando de lado. Tive que olhar pra isso com mais carinho sobre a vida pessoal, recentemente. Conseguir entender que se eu estou preocupado com o outro, olho pra saúde da outra pessoa e quero ver ela bem, eu preciso olhar pra minha saúde, estar bem, até pra conseguir estar melhor pra contribuir e ajudar, enfim. Então acho que você só consegue esse momento de reflexão, se você não está sempre no piloto automático.


Pro pessoal da FAU, a dica seria conhecer os coletivos e iniciativas e se não existir uma que queira, tentar divulgar suas intenções e encontrar outras pessoas com quem possam compartilhar o mesmo interesse!


Escrito por Stephanie Mark Li

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